Raphael Rodrigo Silva Sabóia
Terceiro Ano de Filosofia
Arquidiocese de Brasília
O HOMEM COMO SOLIDÃO
Neste artigo, desejo apresentar a vida de cada homem como radical solidão, baseando-me principalmente na filosofia de Ortega y Gasset e em convicções pessoais. O homem diante do mundo, sendo um ser concreto e individual, deve entender aquilo que também é essencial em sua vida.
O homem se encontra só, diante de uma imensidão de coisas que estão no mundo, não se confundindo com elas, porque se vê sozinho entre elas, revelando assim algo que lhe é essencial: sua solidão. Pois as coisas não são o homem, e o homem não é as coisas.
O homem se realiza através de uma vida que é solidão, que demonstra a incomunicabilidade do seu ser, da totalidade de cada “eu”, pois apenas comunicamos parte de nós. Mesmo sendo perceptível a existência de outros homens no mundo além de mim, eles não vivem e nem podem viver a minha vida, mesmo que haja entre nós um relacionamento. Por exemplo: a dor que eu sinto é minha dor; a alegria que eu sinto é minha alegria, ainda que o outro busque partilhar comigo a minha dor, ele não sentirá o mesmo que “eu”.
A solidão é, pois, estar só, ficar sem - é antes de tudo - estar consigo mesmo, é poder ensimesmar-se, poder parar diante do mundo para contemplá-lo.
Deste modo, as escolhas que o homem faz devem ser responsáveis, já que os outros não podem realizá-las e o homem não pode transferi-las a outro homem.
Neste mundo repleto de possibilidades e de coisas a fazer, também é um mundo de solidões, no qual os homens devem buscar realizar suas vidas com responsabilidade. A solidão do homem se mostra no mundo físico através do corpo. O corpo é um princípio individualizante, que se encarrega de separar o “eu” dos outros corpos.
O corpo faz com que não sejamos onipresentes. O “eu” sempre está aqui em relação ao outro que está ali, não importando onde o “eu” esteja, o mundo vai ser sempre para ele do lugar em que ele está, que é um aqui.
O outro que sempre está em um lugar diferente do “eu”, tem uma perspectiva de mundo diversa da minha. De modo que o mundo do “eu” está fora do mundo do outro, sendo que o “eu” e o outro somos forasteiros, que buscam sempre se relacionar, fazendo presente nossas solidões.
Todo indivíduo possui uma realidade radical na vida, que é a solidão, ao passo que o outro é uma realidade transcendente, e a vida do outro não pertence à realidade radical do “eu”.
Viver a sua solidão, é viver sua realidade primária. Uma solidão que busca comunicar-se com outras solidões. Contudo o homem não aparece na sua solidão, mesmo que essa seja sua realidade radical. O homem se revela nas relações sociais, na ‘sociabilidade’ entre o “eu” e os outros, através de relações recíprocas.
É importante saber que o homem é solidão; porém, não é um ser que está sozinho. Em outras palavras, o “eu” está no “mundo de solidões”, de indivíduos que devem viver sua vida, pois ela é única e foi entregue a cada um, para que possam viver de forma responsável.