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OS FILHOS ESTÃO SENDO EDUCADOS...
João Paulo dos Santos Silva
Primeiro ano de Teologia
Diocese de Luziânia
No matrimônio, dentre algumas promessas que são feitas pelos nubentes, existe uma que se refere explicitamente aos futuros filhos: acolher e educar na Fé da Igreja os filhos que Deus vier a confiá-los (Cf. Ritual Matrimonial). A primeira parte da promessa, a “acolhida dos filhos”, tem se tornado um grave problema na sociedade cada vez mais imbuída de secularismo, propagante de um controle de natalidade, ideologia vendida tendo como fins interesses político-econômicos, e que difere fundamentalmente da boa paternidade responsável. A segunda parte da promessa feita pelos que estão unindo-se em matrimônio também tem se revelado um problema: como educar os filhos. O problema da educação na família tem suas conseqüências diretas para a família em geral e para a sociedade, e por isso não pode ser ignorado como se não nos tocasse em nossa vida. Como educar? Essa é uma questão importante, pois bem ou mal, os filhos estão sendo educados.
Sem entrar no problema ético-moral do controle da natalidade e dos contraceptivos, queremos ficar com o segundo enunciado: a educação dos filhos por parte dos pais. A educação, ou melhor, a preocupação com ela, é antiga. Grandes filósofos como Platão e Aristóteles, na Antiguidade, já se debruçavam sobre a questão de quem deveria ter prioridade na educação dos jovens da Pólis. Isso porque a educação não significa apenas ensinar as ciências humanas e exatas, como entenderia equivocadamente uma análise superficial do termo, mas significa muito mais uma formação completa, integral da pessoa humana, nas suas diversas dimensões. Daí se explica porque o interesse dos clássicos em determinar de forma clara quem deveria ter o cuidado da educação dos jovens da sociedade. Educar inclui uma formação humana básica e essencial para o desenvolvimento das virtudes e potencialidades humanas; inclui também a dimensão espiritual-religiosa, que não se separa do ser humano pela sua natureza, e ainda vários aspectos onde os pais são essenciais e a casa familiar é a primeira escola.
Essa responsabilidade assumida pelos cônjuges no dia do matrimônio tem esbarrado em muitos empecilhos, que têm deixado muitos jovens e crianças sem o mínimo necessário para a formação de uma personalidade firme, segura de si mesma, equilibrada e capaz de escolhas livres e conscientes. Muitos pais não receberam eles próprios uma boa educação familiar (que pode ser vencível); junte-se a isso a frágil formação religiosa de muitos lares, onde o relativismo tem entrado com força avassaladora, deixando muitas coisas em subjetivismo relativista, inclusive a moral. O individualismo e a indiferença crassos, que destroem o amor e criam feridas pessoais e sociais. Resultado: jovens filhos sem boa formação pessoal. Não quer dizer que não serão educados, pois serão, bem ou mal. Se não pelos pais, os meios de comunicação que chegam bem rápido a eles e muitas outras formas de influência na formação da personalidade. É preciso criar consciências que estejam dispostas à educação, de pais que não renunciem à promessa feita no dia matrimonial, e acreditem na verdade de que uma educação verdadeiramente cristã, baseada nos valores perenes do Evangelho, é fundamento para filhos equilibrados e felizes agora e no futuro e, conseqüentemente, uma sociedade mais sadia e harmonizada.
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